Dicas para tornar seu site global
Interessado
em aumentar seu público online em potencial
para 200 milhões de pessoas? Acrescente sites
em francês, italiano, alemão e espanhol.
Adicione sites em japonês e em chinês
e conseguirá outros 300 milhões de
visitantes potenciais — sem abrir um só escritório
internacional.
Atualmente,
há mais de um bilhão de usuários
de Internet em todo o mundo. Entretanto, com base
em minhas pesquisas, menos de 30% desses usuários
têm o inglês como idioma nativo. Até
2010, esse percentual estará abaixo dos 25%.
Os
varejistas de visão na Internet aprenderam
a abraçar o mundo; um país e um idioma
de cada vez. Starbucks, Amazon e IKEA, para citar
apenas alguns, desenvolveram sites para mercados
externos. Este artigo examina alguns desses varejistas
e dos principais desafios que você precisará
enfrentar ao globalizar sua empresa.
Pensando global e localmente
Em condições ideais, uma empresa cria
seu site global em dois estágios: internacionalização
e localização. A internacionalização
é o processo de preparar o site para ser
facilmente adaptado a vários locais; um local
podendo ser um país, um idioma ou ambos.
O ideal é que a empresa projete um “modelo
global” que possa ser localizado para cada novo
mercado. Uma vez desenvolvido, o modelo é
personalizado (ou localizado) para cada local. A
melhor maneira de entender como esses dois estágios
se complementam é ver sua aplicação
na vida real, como nos sites da IKEA nos EUA e na
Alemanha, mostrados abaixo.


Picture:
Os sites da IKEA nos EUA e Alemanha transmitem uma aparência global consistente
Repare
como os dois sites têm semelhanças
no layout, na paleta de cores e na colocação
da logo. O estágio de internacionalização
do processo de desenvolvimento levou à criação
de uma arquitetura que pudesse se manter consistente
em todos os locais, além de permanecer suficientemente
flexível para possibilitar modificações
locais.
Durante
o estágio de localização, são
abordados as opções de seleção
de produto, de promoções, de números
de telefone e de suporte. Embora a princípio
as duas home pages possam parecer muito semelhantes,
as diferenças são significativas.
Veja
agora dois sites do Wal-Mart em países diferentes.
Observe que as home pages do Wal-Mart nos EUA e
no Brasil têm pouca coisa em comum. Evidentemente,
nunca foi criado um modelo global. O resultado é
que o Wal-Mart terá dificuldade para criar
uma identidade global online e fazer a manutenção
centralizada desses sites — uma estratégia
que costuma ser empregada à medida que as
empresas desenvolvem vários sites localizados.


Pictures:
Os sites do Wal-Mart nos EUA e no Brasil parecem não ter relação entre si
Criando
a via de acesso global
O simples fato de criar um site localizado não
garante que as pessoas vão visitá-lo.
Em design para a Web, não há muita
preocupação com o sistema de navegação
que direciona os usuários para os sites
localizados. Os webmasters de muitas das maiores
empresas do mundo dizem que até 50% de
todo o tráfego em seus domínios
.com vêm de fora dos EUA. Assim, é
essencial que as empresas desenvolvam uma estratégia
de “via de acesso global” para induzir os usuários
a visitar seu conteúdo local sem obstáculos.
Muito
freqüentemente, essas vias de acesso global
estão escondidas na parte inferior da página
principal, como no caso da Apple.

Picture:
A via de acesso global da Apple está escondida na parte inferior desta página
Imagine
um usuário que fale apenas coreano visitando
o site da Apple. Ele terá paciência
para rolar até a parte inferior da página?
Agora
imagine a mesma pessoa visitando a home page da
IKEA, mostrada abaixo.

Picture:
A via de acesso global da IKEA força os usuários da Web a escolher o site localizado
A
via de acesso da IKEA força os usuários
a escolher um local, evitando que se percam
no caminho. Lembre-se de que uma via de acesso
global é mais do que uns poucos links
ou páginas da Web; trata-se um sistema
abrangente de elementos técnicos e de
design que trabalham em conjunto para proporcionar
a qualquer usuário uma experiência
de compras perfeitamente integrada, independentemente
do idioma ou do local. Ao desenvolver sua estratégia
de via de acesso, considere as seguintes dicas:
- Reserve os nomes de domínio
específicos do país. A www.acme.com,
por exemplo, quando for lançar o site
em alemão, deverá reservar o
domínio alemão www.acme.de.
Se você está pensando em se expandir
globalmente, comece por reservar os domínios
desses países.
- Sempre facilite o retorno à
via de acesso. Para o caso de um usuário chegar ao site
alemão por engano e querer ir ao site
espanhol, inclua sempre um link para voltar
à via de acesso.
- Evite bandeiras. Muitas vias de acesso
confiam em bandeiras para indicar os locais,
ainda que esse não seja o melhor ícone
a ser usado. Por exemplo, qual bandeira você
usaria para indicar a língua espanhola?
Além disso, o uso da bandeira de Taiwan
certamente ofenderá muitos usuários
chineses.
- Traduza sua via de acesso. Por exemplo, em
vez de usar a palavra “Espanhol” em um link
para o site espanhol, use “Español”;
ou use “Deutschland” em vez de “Alemanha”.
Freqüentemente, detalhes como esses são
negligenciados pelos desenvolvedores de Internet,
que não olham seus sites do ponto de
vista dos usuários de outros idiomas.
Por
fim, você às vezes precisará
localizar um site em vários idiomas para
abranger efetivamente um país, como é
o caso da Suíça. Embora seja um
país relativamente pequeno, a Suíça
tem quatro idiomas oficiais: francês,
italiano, alemão e romanche (uma variação
do alemão). Observe que o site suíço
da IKEA está disponível em francês,
alemão e italiano.

Picture:
O site suíço da IKEA está localizado em francês, alemão e italiano
Design
utilizável globalmente
Dê muita atenção às
cores, às fotos e aos ícones
usados em seu sites localizados. Por exemplo,
uma noiva geralmente veste-se de branco em
um casamento no Brasil, mas na China as noivas
usam vermelho. Preto significa morte nos EUA;
já na Ásia, é o branco
que significa morte. O significado dos ícones
também pode variar conforme o local,
como uma caixa de entrada de correio, que
pode ser azul nos Estados Unidos, mas é
amarela na Suécia.
Todo
o suporte é local
Grande parte da globalização
da Web não tem ligação
com o site: por exemplo, treinamento de funcionários,
localização de produtos e suporte
aos produtos. Antes de sua empresa mergulhar
em um novo mercado, verifique se poderá
dar suporte não só ao site,
mas também às muitas questões
e aos muitos clientes que aparecerão.
Alguns importantes desafios a serem
levados em conta:
- Pagamento. Certifique-se sempre de que
seu site pode aceitar o método de
pagamento preferido no local de destino.
Por exemplo, cartões de crédito
não são comumente usados na
Alemanha, onde muitos clientes preferem
usar cartão de débito ou ordem
de pagamento. No caso de pequenas empresas,
o PayPal promete solucionar esse problema
com suporte multinacional a moedas como
o euro, dólar canadense e iene.
- Suporte. Quando começar a receber
emails em vários idiomas, você
terá pessoal preparado para responder?
E quanto aos telefonemas, faxes e cartas?
- Gerencie as expectativas. Quando você
der início à localização,
provavelmente não estará preparado
para oferecer todas as formas de suporte
ao cliente. Deixe claro no site quais tipos
de suporte você oferece ou não.
A
globalização na Web encurta
o caminho em ambas as direções
Uma vez que empresas como Microsoft, Intel
e McDonald’s obtêm mais da metade de
sua receita no exterior, a globalização
vem mostrando poucos sinais de desaceleração.
Enquanto as empresas obtiverem êxito
em novos mercados, elas precisarão
localizar seus sites para atender à
demanda desses mercados.
Isso
significa que, da mesma forma que você
pode expandir sua empresa alcançando
um novo mercado externo, as empresas estrangeiras
também podem se expandir para o seu
mercado. O momento agora é de começar
a preparar suas estratégias de globalização.
A globalização na Web não
é fácil e nem sempre é
barata, mas você perceberá que
é muito mais fácil e vantajoso
adaptar seu site ao mundo do que esperar que
o mundo se adapte a ele.
John
Yunker é editor do popular
Global By Design (www.globalbydesign.com),
um site e boletim sobre globalização
na Web. Entre os assinantes do boletim estão
empresas como Autodesk, FedEx, Google, Dow
Corning e Panasonic. John é autor
de Beyond Borders: Web Globalization Strategies
(Atravessando fronteiras: estratégias
de globalização na Web).