Desligando o piloto automático: o poder da escolha
*Este
artigo foi publicado originalmente na seção
‘Companies to Watch’ da edição
de agosto de 2005 da revista ClientSideNews.
By
Adam Blau,
milengo
Inc.
adam.blau@milengo.com
www.milengo.com
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Civil Law, Consuetudinário ou Common
Law: qual é o seu direito?
A
era das fusões está de volta. Após
um intervalo na última rodada de grandes fusões
e aquisições em 2002, a consolidação
presenciada em 2005 reforça a premissa de que
o setor de localização, com apenas 20
anos de existência, continuará a crescer
e a se sofisticar. Aquisições anteriores,
como a da Alpnet ou da Berlitz, expandiram a base
de clientes e reduziram os custos supérfluos
dos compradores para melhorar o resultado final. Da
mesma forma, a recente compra pela SDL do TRADOS,
ferramenta de memória de tradução
líder do setor, e a aquisição
do Logoport pela Lionbridge no ano passado aumentaram
a capacidade dessas empresas de fornecer tecnologia
e soluções para gerenciamento de globalização
(GMS, Globalization Management Solutions). A integração
dessas soluções GMS ao processo de globalização
permitirá que elas enfrentem, de maneira realista,
desafios importantes na tentativa de reduzir os custos.
E, mais importante ainda, aumentará a flexibilidade
e a integração de modelos de subcontratação
de vários níveis de 1ª Geração,
desenvolvidos no decorrer dos anos. A habilidade para
enfrentar esse desafio mudará a dinâmica
do setor no qual trabalhamos. Esperamos que para melhor...
Entretanto,
de maneira geral, nem sempre a consolidação
é vantajosa para os clientes. Com compradores
exigindo mais e pagando menos, somente as empresas mais
dinâmicas, com a melhor oferta de produtos e serviços,
poderão atender suas necessidades de longo prazo.
A compra da Bowne Global Solutions pela Lionbridge reduz
as opções de escolha dos compradores a
um pequeno grupo de fornecedores globais de localização
que agora podem facilmente exercer seu domínio
sobre o mercado. É claro que os compradores também
podem optar por trabalhar com uma combinação
de agências menores lutando pela captação
de contratos, mas que nem sempre podem oferecer os serviços,
a competência ou os recursos de um fornecedor
de solução completa. O objetivo deste
artigo não é identificar os temores e
impactos associados à consolidação
do mercado em nosso setor. Na verdade, ele responderá
a uma importante pergunta que os compradores devem estar
se fazendo enquanto desenvolvem planos para futuras
localizações: existem outras soluções
ou fornecedores além destes poucos concorrentes
ou serei obrigado a trabalhar com eles?
A
resposta é sim: o modelo de aliança de
localização.
A solução para a localização
de 2ª Geração
O modelo de aliança de localização
consiste em empresas de localização totalmente
independentes que baseiam suas operações
nos mesmos modelos de negócios, fluxo de trabalho
de gerenciamento de projetos e padrões de qualidade.
A aliança não é uma organização
como a GALA, mas uma entidade com fins lucrativos que
utiliza uma única marca para fornecer às
empresas de TI uma alternativa às suas necessidades
de localização.
A
diferença mais clara entre uma aliança
de localização e um modelo de fornecedor
multilíngüe (MLV, Multi-Language Vendor)
é o fato de que a aliança é um
grupo de empresas financeiramente independentes, localizadas
em diferentes países e que, ao reunirem seus
recursos, integram e estruturam a oferta de serviços.
Por outro lado, um MLV é uma entidade única
que precisa manter uma produção global
e uma infra-estrutura de vendas. Os membros da aliança
não são selecionados apenas pela mistura
de qualificações lingüísticas,
investimento em tecnologia e experiência no setor
de localização, mas também pela
capacidade de atender aos requisitos e expectativas
da aliança. Em geral, esse novo modelo de negócios
determina quais são essas expectativas, como
requisitos de volume mensal, qualidade e comunicação.
Dessa forma, a aliança pode alcançar um
alto padrão de profissionalismo.
Um
modelo de aliança também diverge do modelo
de subcontratação de 1ª Geração
pelos seguintes aspectos:
-
O trabalho é executado de fato na estrutura
da aliança. Cada membro é uma empresa
independente, com seu próprio quadro de funcionários
e estrutura, gerentes de projeto locais, engenheiros
e numerosas equipes lingüísticas para
atender ao velho clichê de necessidades “globais
e locais”.
- Em
geral, os preços de localização
se baseiam na taxa de mercado local de fornecedores
de um único idioma (SLVs, Single Language Vendors)
e não em modelos de tradutores autônomos
ou de subcontratação.
-
As taxas de gerenciamento também são
inferiores às das empresas mais tradicionais.
Suponhamos que uma estrutura típica de MLV
aloque 30% do valor de um projeto para pagar gerenciamento
e despesas gerais indiretas, e que os outros 60% se
destinem ao SLV (não incluindo a taxa de gerenciamento).
Em uma aliança, a taxa de gerenciamento pode
chegar a 5% porque se trata de uma organização
enxuta, em que cada parceiro sustenta sua própria
operação.
-
Os parceiros da aliança não são
substituídos ou trocados num piscar de olhos
porque outra agência ofereceu um preço
por palavra ligeiramente inferior. Além disso,
os preços de localização não
são inflacionados para determinados idiomas
ou depreciados para outros em detrimento da qualidade,
velocidade ou confiabilidade.
Assim,
o cliente pode esperar uma qualidade consistente porque
o mesmo fornecedor sempre estará executando
o trabalho. Como resultado, o gerente de projeto global
da aliança e cada membro envolvido no projeto
desenvolvem um relacionamento exclusivo e duradouro
com o cliente, baseado na confiança e que estimula
a compreensão das necessidades específicas
do cliente por parte do gerente de projeto global
(GPM, Global Project Manager). Os clientes não
se preocupam simplesmente com descontos nos preços,
mas também com um processo de produção
otimizado que melhore os resultados de lançamento
no mercado, com custos de gerenciamento mais baixos
para o cliente.
Compartilhando recursos
Quanto maior for a presença mundial de uma
aliança, mais vantagens ela poderá oferecer
aos clientes. Ao reunir os principais pontos fortes
de cada parceiro em uma abordagem integrada, são
criados escalabilidade e tamanho para desenvolver
uma solução de localização
que atenda a cada cliente individualmente. Por exemplo:
suponhamos que o parceiro italiano da aliança
tenha vasta experiência em gerenciamento de
projetos multilíngües. O GPM italiano
funcionará como um vínculo crucial e
dedicado com o cliente e coordenará todos os
gerentes de projeto locais dentro da aliança.
Complementado pelo parceiro eslovaco, que tem experiência
em engenharia e teste de software, o escritório
chinês funcionará como um ponto central
de terceirização para os projetos de
DTP, pois possui amplo conhecimento em editoração
eletrônica. Obviamente, é fundamental
que a aliança ofereça um ambiente aberto,
permitindo que os membros possam confiar e contar
uns com os outros. A milengo, por exemplo, estabeleceu
o princípio de que só pode haver um
parceiro lingüístico para cada idioma
oferecido. Isso faz com que cada parceiro sinta-se
à vontade para compartilhar suas experiências,
técnicas e compreensão singular dos
muitos aspectos dos projetos de globalização.
Representação gráfica de como funciona o modelo de localização de 2ª Geração
A
localização e as companhias aéreas
A parceria estratégica tem se tornado uma expressão-chave
utilizada com freqüência quando duas empresas
estabelecem algum tipo de colaboração.
Como conseqüência, as pessoas começaram
a ver as alianças estratégicas com alguma
restrição. Isso acontece porque muitas
empresas maiores podem estabelecer uma “parceria
estratégica” com empresas menores para
fornecer um serviço que sua força de vendas
tenha detectado como necessário para sua oferta.
Isso dificilmente representa uma vantagem real para
os clientes. Ao mesmo tempo, é importante reconhecer
que existem alianças sólidas no mercado.
Os setores de publicidade, relações públicas
e aviação fazem bom uso das alianças
estratégicas para enfrentar os desafios envolvidos
na criação de escala, recursos e serviços
no mundo todo.
Curiosamente,
as indústrias de localização e
aviação compartilham muitas semelhanças.
Vinte anos atrás, as companhias aéreas
enfrentaram o desafio que as empresas de localização
enfrentam hoje: encontrar maneiras de melhorar e expandir
os níveis de serviços e as opções
oferecidas aos clientes, tudo isso a um custo menor.
Hoje
os passageiros esperam ser levados a qualquer parte
do mundo com o mesmo nível de compromisso com
a qualidade, serviço e segurança. Vinte
anos atrás, a coisa não era bem assim.
Logo após a desregulamentação do
setor de aviação norte-americano, no final
da década de 80, surgiram as chamadas alianças
de compartilhamento de código entre uma companhia
aérea dos Estados Unidos e uma operadora nacional
européia. Essa parceria permite que uma companhia
aérea venda lugares no avião do parceiro
como se fosse seu, proporcionando a ampliação
da rede de rotas sem precisar ter mais aviões.
Isso permite que os passageiros façam o check
in no aeroporto e obtenham seus cartões de embarque
para todo o vôo, simplificando o processo de passagens.
Um
simples acordo de compartilhamento de código
não se beneficia de todas as vantagens que
uma aliança pode proporcionar, o que inclui
ajudar seus membros a aumentar a oferta de serviços
sem elevar os custos operacionais fixos e variáveis.
Embora cada companhia aérea seja totalmente
funcional e independente, com seus funcionários,
escritórios de vendas e instalações
de manutenção e operação,
ela emprega milhares de pessoas no país de
origem ou nos pontos estratégicos e atende
a seus clientes em uma escala global.
Em
um ambiente sem concorrência, a empresa de um
membro da aliança é fortalecida pelos
recursos e instalações dos parceiros.
Os membros podem desenvolver acordos que os permitam
compartilhar, gerenciar ou aprimorar os recursos de
operação, gerenciamento e vendas/marketing
que seriam muito caros para uma empresa administrar
sozinha. Uma companhia aérea espanhola, por
exemplo, poderia utilizar as instalações
de manutenção de seu parceiro norte-americano
enquanto atende à clientela nos EUA, e vice-versa.
As duas empresas poderiam combinar as atividades de
marketing para a rota voada entre os dois países
e expandir suas vantagens e programas de milhagem
para atender os passageiros da Espanha e dos Estados
Unidos. Os programas de milhagem, embora não
sejam muito utilizados no setor de localização,
estão entre os projetos a serem desenvolvidos
e implementados futuramente pela milengo.
Metas para uma decolagem bem-sucedida
Como o setor de aviação se expandiu nos
últimos 70 anos ou mais, as alianças de
companhias aéreas são relativamente mais
bem desenvolvidas que as alianças de localização.
Nessas novas alianças, o maior desafio é
a integração bem-sucedida de objetivos
e procedimentos comuns durante todo o fluxo de trabalho
da globalização. A integração
só funciona quando todos os participantes, incluindo
os diretores, acreditam na proposta e no sucesso da
aliança, fazendo com que todos os funcionários
tenham motivação bastante para dedicar
a energia, o tempo e os recursos necessários
para o sucesso. Há muitos obstáculos nesse
tipo de plano de negócios, mas a implementação
em escala total será um diferencial entre as
alianças bem-estruturadas de hoje e as parcerias
frouxas do futuro.
O
mercado de localização continuará
se desenvolvendo para atender às necessidades
dos clientes de TI. Alguns fornecedores decidiram integrar
tecnologias proprietárias ao fluxo de trabalho.
Outros acham que a especialização contínua
em determinados segmentos do setor é o melhor
passo a seguir, e outros ainda acreditam que uma aliança
é a melhor maneira de fornecer aos clientes uma
alternativa razoável às suas necessidades
de localização. Neste mercado, como os
requisitos de cada cliente não são universais,
um modelo de aliança pode não ser a solução
adequada para determinadas empresas de TI. Entretanto,
a opção de escolher entre várias
soluções, em vez de contar somente com
apenas algumas, devolve o controle do piloto automático
ao próprio piloto. E é isso que permitirá
a decolagem do novo modelo de aliança.
Adam
Blau é
o responsável pelo gerenciamento das operações
globais da milengo e de suas atividades comerciais
e de marketing na América do Norte e Europa.
Adam entrou para a aliança durante sua fase
de concepção e atualmente orienta os
parceiros no desenvolvimento de soluções
personalizadas de localização em suas
respectivas regiões, além de ajudar
a fortalecer o relacionamento com os clientes internacionais
da milengo.
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