A realidade
do espanhol nos Estados Unidos:
um desafio único
By
María Ángeles
Prieto,
a seasoned expert in the field
of Spanish-language,
SpanLingua,
New York, U.S.A.
mprieto@spanlingua.com
www.spanlingua.com
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Versión
española English
Version
O
espanhol nos Estados Unidos não é um
tema de fácil abordagem. Temos que levar em
conta não só a diversidade do espanhol
no país mas também a necessidade de
estabelecer um denominador comum nesse incrível
caldeirão de culturas. Tanto as influências
lingüísticas quanto as culturais e a grande
repercussão do uso do espanhol nos meios de
comunicação também desempenham
um papel fundamental no que diz respeito ao espanhol
nos Estados Unidos.
Apesar
de suas diferenças marcantes, o coletivo de
origem hispânica vem ganhando muito poder na
sociedade norte-americana, chegando ao ponto de ter
se tornado um público-alvo de grande interesse.
Esse interesse é compartilhado pelas grandes
empresas, cujo objetivo é abocanhar parte dos
mais de 350 milhões de dólares consumidos
pela comunidade hispânica atualmente, e pelo
governo e os políticos, que buscam seu voto
e apoio, o que vem promovendo a naturalização
de muitos imigrantes hispânicos e o uso de seus
direitos eleitorais.
Assim
como qualquer outro imigrante que tenha o espanhol
como idioma nativo, eu tive a oportunidade de viver
a complexidade do uso do espanhol neste país,
tanto como profissional de comunicação
quanto no nível pessoal. E é justamente
a grande variedade de origens dos falantes de espanhol
nos EUA um dos catalisadores dessa inesperada complexidade.
Segundo dados do censo norte-americano de 2004, quase
40 milhões de pessoas de origem hispânica
residem no país, sem incluir os quase 4 milhões
de hispânicos provenientes de Porto Rico. Entre
esses 40 milhões, 67% vêm do México,
14% das Américas Central e do Sul, 9% de Porto
Rico, 4% de Cuba e 7% de outros países e regiões.
Essa
variedade de origens gera intermináveis discussões
quando devem ser tomadas decisões de âmbito
terminológico, tanto no tocante à redação
quanto à tradução de textos para
o espanhol voltados para o público que reside
nos Estados Unidos. Assim, quando nos deparamos com
termos como "autobús", encontramos,
entre outras versões, "camión"
(México), "guagua" (Cuba e Porto
Rico), "colectivo" (Argentina e Venezuela)
etc.
Situações
como essa levantam a polêmica sobre a necessidade
de se usar um espanhol genérico ou
neutro nas comunicações dirigidas
ao mercado hispânico norte-americano. Entretanto,
em determinadas situações uma solução
direcionada é a escolhida, optando-se pelo
uso de editores de origem mexicana quando o conteúdo
é voltado para um público majoritariamente
mexicano, de origem porto-riquenha quando o público
é majoritariamente porto-riquenho, e assim
por diante.
No
âmbito das comunicações em espanhol
no território norte-americano, há diversas
circunstâncias que inevitavelmente levam ao
polêmico spanglish, que vem a ser a inserção
de palavras inglesas no diálogo em espanhol
e o uso indiscriminado de anglicismos. Algumas das
circunstâncias que mais se destacam são:
-
a convivência contínua do inglês
com o espanhol;
-
a inevitável influência da cultura
norte-americana;
-
o baixo nível cultural de muitos imigrantes
hispânicos;
-
o fenômeno da assimilação;
-
a necessidade de estabelecer palavras comuns;
-
a influência dos meios de comunicação
sobre o uso do espanhol.
Tais
circunstâncias são fundamentais quando
se trata de produzir conteúdos e traduções
compreensíveis para uma comunicação
eficaz com esse público-alvo.
Escrever
em espanhol ou traduzir um texto do inglês para
o espanhol voltado para o mercado hispânico
não é uma tarefa fácil. Apesar
de nossas origens e regionalismos, todos precisamos
nos comunicar de maneira correta e eficaz, superando
esses obstáculos na medida do possível
e atendendo às necessidades de nossos clientes.
Essa
necessidade requer um trabalho de pesquisa e formação
que todo bom profissional deve realizar para comunicar
a mensagem desejada de maneira eficaz e fazer com
que nossos clientes entendam as idiossincrasias da
comunicação em espanhol no âmbito
da comunidade hispânica nos Estados Unidos.
Com
o objetivo de facilitar o trabalho de esclarecimento
do cliente que deseja estabelecer comunicações
em espanhol voltadas para esse mercado, precisamos
levar em conta os fatores que definem a participação
do cliente nesse processo, entre eles:
-
sua possível falta de familiaridade com os
desafios apresentados pela tradução
para o espanhol para uso nos Estados Unidos;
-
o conceito habitual de muitos clientes não
bilíngües de que existe apenas um espanhol
correto, que pode ser entendido por todos;
-
as revisões efetuadas pela equipe bilíngüe
do cliente que, por não se dar conta da diversidade
desse público-alvo de maneira objetiva, podem
gerar desentendimentos entre a agência de
tradução ou tradutor e o cliente;
-
a insistência, por parte de muitos estrategistas
de comunicação, em utilizar um registro
inferior na tradução ou adaptação
para o espanhol a fim de assegurar uma comunicação
eficaz com públicos-alvo de níveis
culturais mais baixos (um processo que pode resultar
em uma imagem negativa do cliente);
-
os prazos de entrega, que freqüentemente não
nos dão tempo suficiente para permitir o
controle de qualidade necessário no processo
de tradução;
-
a necessidade que se tem, em várias situações,
de traduzir de volta para o inglês o texto
traduzido para o espanhol com o objetivo de cumprir
protocolos internos para aprovar a versão
em espanhol para publicação, principalmente
no caso de entidades norte-americanas.
Esses
fatores podem gerar problemas desnecessários
que seriam facilmente evitados investindo-se na criação
de um consenso preliminar, na forma de diretrizes
e glossários. A elaboração e
a criação desses elementos de controle
é um trabalho que deve ficar nas mãos
de uma equipe de consultoria formada por tradutores
e editores de diversas procedências, especializados
no mercado hispânico dos EUA. Essa equipe deve
trabalhar com o cliente na análise do conteúdo
e na determinação de padrões
e glossários.
O
trabalho necessário para se chegar a um consenso
é árduo, mas a lista de vantagens é
interminável: redução considerável
dos custos, processos de trabalho mais organizados
e previsíveis, qualidade superior, caráter
genérico e consistência de conteúdo.
Contudo, também é importante destacar
que esse trabalho em equipe é um solo fértil
que o cliente pode observar, controlar e manipular,
a fim de produzir conteúdos e traduções
adequados às suas metas de comunicação.
Embora
esse tema fascinante envolva uma infinidade de componentes,
concluirei meu ensaio ressaltando a importância
do espanhol como denominador comum e elemento unificador
de todos os hispânicos residentes nos Estados
Unidos em um coletivo poderoso, sem importar suas
origens ou diferenças lexicais. E o poder conferido
pelo espanhol é motivo suficiente para que
ele seja conservado e defendido, sempre levando em
conta e respeitando as diferenças lexicais
e essa diversidade enriquecedora.
María Ángeles
Prieto é uma especialista
na área de revisão, tradução
e adaptação de propaganda e materiais
de marketing em espanhol para os mercados hispânicos
nos Estados Unidos, América Latina e Espanha.
Nascida na Espanha, ela dedicou grande parte de sua
vida extracurricular a estudar francês, inglês
e alemão e se formou em Propaganda e Relações
Públicas pela Universidade Complutense de Madrid.
Em 1990, María Ángeles se mudou para
Nova York onde trabalhou para agências de marketing
renomadas cujo foco eram os mercados latino-americano
e hispânico nos EUA. Em 1998, ela foi co-fundadora
da SpanLingua e desde então seu trabalho tem
se concentrado principalmente no gerenciamento de
projetos de tradução e adaptação
voltados para o mercado hispânico nos Estados
Unidos. A autora tem dois filhos e adora ficar com
eles sempre que possível.
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